25 setembro 2005

Sonhos das janelas abertas

A respiração pára.
No peito um aperto: algo urgente não foi feito,
Como a lembrança repentina de que todas as janelas da casa ficaram abertas.
Janelas sem grades.
Os músculos cardíacos tensamente relaxados.
Prá que voltar prá trás?
E se a casa for invadida?
Seja.
A lembrança urgente não cessa,
Algo sempre falta.
Só a saudade, agora, é do que existe.
Os olhos,
Ávidos por respostas que nunca serão dadas.
Eles sentem
O mesmo medo de ter deixado portas e janelas abertas...
(Intenção sincera de dizer que não tema)
(Vontade infinda de lhe dizer qualquer coisa)
(Desejo constante de ver a casa toda invadida)
A boca,
Os lábios talvez atravessem a carne?
O beijo parece beijar o espírito:
Diminui o aperto no coração...
(O ar infla os pulmões e o espírito cada vez mais rápido)
A pele,
Nenhuma sensação está mais sob controle,
Queria nunca mais saber o que é meu,
Queria saber desta dor que anestesia:
Ela existe em outro lugar?
Nenhum desejo é meior que este.
Janelas, portas, corpo e alma: abertos
Toda a casa já lhe pertence
Não há mais o que temer
(Amor)