28 outubro 2008

Eu, meu namorado e sua outra namorada


Começou assim: numa noite de final de semana eu não estava animada prá sair, estava no apartamento dele prá passar a noite lá, ele quis sair. Não me opus, estava cansada ou doente, e não queria treta, só dormir, de preferência acompanhada dele, mas...dormiria com ele assim que voltasse da balada. Por algum motivo idiota ele estava sem a chave da própria casa e levou a minha, de maneira que fiquei trancada dentro do apartamento, dormindo. Eram 11 horas da noite, no máximo. Às 3 horas da madrugada acordei, ele não tinha chegado, voltei a dormir, já deveria estar vindo embora. Às 4 não estava me sentindo muito bem mas parecia que tinha ouvido um barulho, virei pro lado e fechei os olhos, sonolenta. Foi assim até as 6 horas da manhã, aí me preocupei. Nós nunca chegávamos à esta hora, podia ter dado algum problema no carro ou ele podia ter sido pego na lei seca (ele nunca teve crédito no celular e no momento o meu tb estava sem). Como eu seria avisada em alguma emergência? Como explicaria a situação nalguma emergência? Não poderia, enquanto eu pensava nisso tudo a bateria do meu celular acabou, não havia outro telefone no apartamento, estava trancada lá dentro e começava a imaginar às sete horas se começaria a gritar por alguém na rua, quando comecei a chorar. Chorei de raiva, de preocupação, de claustrofobia, de qualquer coisa ruim indefinível...ele apareceu. Calmo. Dormiu com uma menina que conheceu na balada, havia perdido o horário, não entendia porque eu estava tão nervosa. Foi assim que a conheci.


De repente ele apareceu com uma conversa que determinado dia nós não poderíamos sair juntos, ou teríamos que sair sozinhos, não escondeu o motivo: queria encontrar outra pessoa que, segundo me disse, sabia que ele tinha namorada e que a relação dos dois seria apenas casual. Nem comentei, não insisti muito e deixei. Um dia fiz questão de conhecer a menina (ela é 5 anos mais nova que eu, o que prá minha idade e prá idade dele, representa uma diferença razoável). Conhecendo minha personalidade liberal e certamente com alguma segunda intenção, certo dia nós aparecemos juntos no lugar onde ele a encontrava. Fiquei tensa. Como ela seria? Homem é tão fútil, e se ela fosse mais bonita do que eu, ele iria deixar tudo prá trás por causa disso? Ela não era. Inflei os pulmões e a auto-estima e fiquei tranquila. Ela é que ficaria com medo. Ele discretamente foi conversar com ela sozinho, diretamente ela não chegou a me olhar, mas tenho certeza de que ela me viu. Ele voltou, ela estava com receio de me conhecer, certamente pensando que eu era alguma namorada ciumenta que iria armar barraco no meio da festa, o de sempre...convenci-o de que só havia uma maneira dela perder esse medo, era ele me apresentar e imediatamente eu começar a conversar com ela. Foi o que aconteceu. Na verdade foi até fácil, estudamos na mesma cidade, tinhamos conhecidos em comuns e acreditem, descobrimos até que éramos meio parentes...è, era estranha, mas não era tão feia assim, só diferente. O que será que ela pensou de mim naquela hora? Acabamos amigas. E, por mais que ela relutasse um pouquinho, logo estávamos saindo juntos, os três.


Pronto, provavelmente era aí que ele queria chegar. Admito, minha curiosidade é bem maior que o meu ciúme e por nada neste mundo eu deixaria meu namorado se envolver com uma pessoa que eu não conhecesse e considerasse "segura", o que quer que isso possa significar. Até gostei dela, era uma pessoa interessante, ele teve o mérito de achar uma beleza exótica e bem fora dos padrões, entendi porque ele quis ficar com ela. Ele deu a idéia, era claro que eu aceitaria, ela relutou um pouquinho (devia ser nova no assunto, ou ser contra os seus princípios, sei lá), mas por algum motivo que eu só descobri mais tarde, aceitou. O estranho é que neste dia, quem mais aproveitou fisicamente a situação, fui eu. Comigo lá, faltava alguma coisa entre os dois, prá mim, nada faltou.


A dinâmica deve ter mudado um pouco entre os dois. Eu tinha certeza, ela estava apaixonada por ele. Sabia que isso daria problema. Ele achava que essas coisas pudessem ser todas resolvidas na conversa, que era só falar prá ela ele não largaria de mim por causa dela e que ele não queria outro compromisso que ela não se envolveria e ele poderia continuar com ela à vontade! Às vezes sou eu quem tenho vontade de usar termos mais vulgares prá definir essa incapacidade masculina de se fazer acreditar em tudo o que seja conveniente prá sua cabeça de baixo, mas não vou. Realmente acredito que ele achava que só falando ela não iria ter esperanças e aceitaria ser seu caso pelo tempo que ele quisesse, sem que isso representasse qualquer desrespeito à ela ou a mim. Não vou dizer palavrão. Aí veio a mudança, ele se mudou prá 400 km de distância de mim e dela. A tensão entre mim e ela se tornou óbvia: quem ficaria com ele nos finais de semana que ele viesse prá cá? Quem ficaria com ele quando ele não viesse prá cá? Eu viajei com ele prá conhecer a cidade, alugar a casa, ajudei na mudança e fui estúpida o suficiente prá pensar que a questão estava resolvida quando passei a primeira semana após a mudança com ele. Na semana seguinte ela foi prá lá.


Na cabeça dele, entretanto, ele só tinha uma namorada: eu. Ironicamente fui justamente eu que o esclareci da realidade, logo que ele voltou pela primeira vez prá cá passar dois dias na cidade me informou - surpresa - como ele passaria o final de semana: um dia comigo e outro com ela. Meu respeito por ele começou a diminuir aí: ele nem era homem o suficiente prá ficar só comigo e nem o era prá assumí-la de vez. Deve ter sido a primeira vez que falamos seriamewnte em rompimento. Não sei se foi especificamente por ela, mas meu respeito por ele já não era o mesmo. Essa situação absurda durou por mais algumas semanas, até que, coincidentemente, eu e ela descobrimos que num final de semana nenhuma das duas iria encontrá-lo, resolvemos sair juntas. Eu realmente gostava da companhia dela na maior parte das vezes (a exceção se dava quando ela tinha umas crises em que se tornava completamente apática, inerte, praticamente autista, o que me fazia desconfiar de que ela tinha algum problema). Nessa noite ela não estava assim, e não consigo imaginar como surgiu o assunto de suicídio na conversa, e ela, como quem conversa frivolidades lançou a bomba: tinha tentado se matar 2 dias antes, tinha acabado de receber alta do hospital!


Ele, óbvio, não queria saber de uma menina que tentava se matar por causa dele. Eu, eterna depressiva em recuperação, mas há anos longe dessa fase, de alguma forma me identifiquei com ela. E se fosse eu? Quando ele ficou sabendo do caso, fez o mínimo e lavou as mãos, dela passou a querer só a distância. Prá mim, ela iria tentar de novo, fiz o que pude prá impedir, no fim, apelei prá família dela e acabei perdendo o contato. Na minha intenção de ajudá-la acabei afastando os dois, acho que ela não me perdoou. Ficamos juntos mais um tempo, mas nunca mais foi igual. Perdi a admiração que tinha por ele e ele perdeu algo por mim (ele acha que foi o amor). Ainda acho que ele é a pessoa certa prá mim, apesar de tudo, ele já não tem tanta certeza e por mais que eu ainda o ame, não quero nada com alguém que não sinta o mesmo. Perdi o respeito por ele, prá não perder por mim. Ainda não sabemos o que foi que ele perdeu nisso tudo, mas ele ainda acha que a outra não teve nada a ver com a história. Alguém ainda tem esperanças.