Alguns poemas antigos
I.
Há uma parte de mim em você,
Ele disse,
E sepois foi embora.
Como pôde ir embora sem sua parte?
(Que é tanto prá mim...)
Num certo momento foi o beijo,
Eu chorei aquele beijo,
Nele morria minha parte,
Que nem era minha.
Eu beijava e chorava o último beijo de amor.
Sentia no segundo
Sua boca se mexendo na minha
Tentei achar nos seus lábios
O momento que prendesse sua alma.
Não achei.
Ela foi embora,
prá onde não posso pegá-la.
Como posso viver com uma parte
Mutilada do todo?
(LFR)
II.Para Rod. Franca
Uma memória futura me empolga. O que me impede de viver e fazer e de não ser boa ou má, só ser? A culpa é útil, assim como as dores, elas nos devolvem a realidade e à luta para permanecermos aqui. Queria conseguir me amarrar com um cordão de prata infinito e voar por todo o universo, mas ter um lugar bem sólido para amarrá-lo e poder voltar quando quiser. Se eu conseguir dominar a matéria que domina, rir de tudo o que destrói, abrirei meu peito para a morte e a insultarei, porque agora não a temo. Ela não importa. Não haverá hipocrisia, nem mentiras, nem ciúmes. Por que não posso te beijar com toda a minha paixão e não trair o meu amor, tão caro e desejado, por outra pessoa? Não, o amor não é único e limitado como um combustível fóssil, sua energia pode ser eterna, vindo da luz do sol, da fluidez dos ventos ou da força dos átomos. A força constrói, destrói e constrói e nem o átomo é indivisível. Não, não tem que haver tristeza, nem tem que haver culpa. Quem teme o mal ou a dor, nunca poderá ser bom. Mas quem é feliz com a tristeza, quem fica imóvel pela culpa, é o insignificante que será engolido por tudo.
Há uma parte de mim em você,
Ele disse,
E sepois foi embora.
Como pôde ir embora sem sua parte?
(Que é tanto prá mim...)
Num certo momento foi o beijo,
Eu chorei aquele beijo,
Nele morria minha parte,
Que nem era minha.
Eu beijava e chorava o último beijo de amor.
Sentia no segundo
Sua boca se mexendo na minha
Tentei achar nos seus lábios
O momento que prendesse sua alma.
Não achei.
Ela foi embora,
prá onde não posso pegá-la.
Como posso viver com uma parte
Mutilada do todo?
(LFR)
II.Para Rod. Franca
Uma memória futura me empolga. O que me impede de viver e fazer e de não ser boa ou má, só ser? A culpa é útil, assim como as dores, elas nos devolvem a realidade e à luta para permanecermos aqui. Queria conseguir me amarrar com um cordão de prata infinito e voar por todo o universo, mas ter um lugar bem sólido para amarrá-lo e poder voltar quando quiser. Se eu conseguir dominar a matéria que domina, rir de tudo o que destrói, abrirei meu peito para a morte e a insultarei, porque agora não a temo. Ela não importa. Não haverá hipocrisia, nem mentiras, nem ciúmes. Por que não posso te beijar com toda a minha paixão e não trair o meu amor, tão caro e desejado, por outra pessoa? Não, o amor não é único e limitado como um combustível fóssil, sua energia pode ser eterna, vindo da luz do sol, da fluidez dos ventos ou da força dos átomos. A força constrói, destrói e constrói e nem o átomo é indivisível. Não, não tem que haver tristeza, nem tem que haver culpa. Quem teme o mal ou a dor, nunca poderá ser bom. Mas quem é feliz com a tristeza, quem fica imóvel pela culpa, é o insignificante que será engolido por tudo.

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