Luz vermelha
Eu o vi. Estava no trânsito olhando a luz vermelha e vi um rapaz andando pela calçada do outro lado da avenida. cabeça erguida, cabelos muito mais claros do que eu permitiria. Havia me esquecido de como ele era. Não por completo, mas as partes, as partes sempre somem. é estranho ver algo ao qual a visão já esteve tão acostumada e que agora os olhos demoram a reconhecer. Me senti avistando uma casa na qual eu não mais morava. Pensando: como serão as pessoas que moram lá agora? Como será que usaram o espaço que havia lá dentro? Será que dentro dela alguém perceberá que eu já morei ali? Algo de mim permanecerá na casa, assim como a casa permaneceu em mim? A luz vermelha se apagou. O tempo sempre passa, mesmo quando não se percebe. Ele vai seguindo seu caminho, indo por onde eu vi, nem notou minha presença. Quem o vê com a cabeça erguida assim, pela rua, pode pensar que ali está uma casa que nunca foi habitada e talvez tenha razão.

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